Créditos: Eve Air Mobility
ANAC vai criar categoria de piloto para “carros voadores” no Brasil: o que isso significa
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) anunciou que está estudando a criação de uma categoria de habilitação específica para pilotos de carros voadores — aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical conhecidas como eVTOL (sigla em inglês para electric vertical takeoff and landing). Esta iniciativa marca um importante passo regulatório no Brasil para a chegada e operação de veículos aéreos avançados no espaço urbano.
Consulta pública: como a ANAC está definindo a nova categoria
A ANAC abriu uma consulta pública oficial (Consulta Pública nº 03/2026), disponível até o dia 16 de março de 2026, para coletar contribuições da sociedade civil, especialistas, pilotos, fabricantes e operadores do setor. O objetivo é obter sugestões sobre os requisitos técnicos e operacionais para a futura habilitação de pilotos de carros voadores.
Por que a ANAC quer criar essa nova categoria?
Segundo o regulador, a proposta visa adaptar o atual Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC 61) às novas tecnologias de mobilidade aérea avançada, especialmente aos veículos eVTOL, que operam de forma estrutural e funcional diferente de aviões e helicópteros tradicionais.
O que são eVTOLs e por que isso é importante
Os chamados carros voadores — ou eVTOLs — são aeronaves elétricas que conseguem decolar e pousar verticalmente sem necessidade de pista convencional, graças a múltiplos motores elétricos e sistemas avançados de propulsão. Eles são vistos como uma das grandes apostas para o futuro da mobilidade urbana, com potencial para reduzir congestionamentos e trazer novas soluções aos transportes nas grandes cidades.
Como funcionaria a nova habilitação da ANAC
A proposta ainda está em fase de discussão, mas já inclui algumas diretrizes importantes:
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Treinamento específico: os pilotos deverão passar por formação especializada no uso de eVTOLs, com conteúdos práticos e teóricos ajustados às características desses veículos.
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Período de transição: inicialmente, pilotos já habilitados em aeronaves existentes, como aviões ou helicópteros, poderão ser integrados em um programa de transição que facilita o aprendizado e a adaptação.
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Exame de proficiência: ao final do treinamento, haverá avaliação prática para garantir que o piloto domina as operações típicas de um eVTOL.
Esse modelo está sendo discutido justamente para garantir segurança e experiência operacional, reunindo informações e evidências antes de abrir um regime completo de habilitação ab initio (do zero) para novos profissionais.
A visão das entidades e a cultura da aviação
A Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac) considera que a chegada dos carros voadores representa uma oportunidade de mercado para pilotos, principalmente no início, quando haverá necessidade de adaptação prática e teórica conforme as normas que serão estabelecidas.
Ao mesmo tempo, especialistas do setor destacam que, no longo prazo, o desenvolvimento tecnológico pode levar a um modelo de operação mais autônomo ou remoto, reduzindo a presença física de pilotos a bordo — um reflexo da evolução natural da mobilidade aérea avançada.
Indústria brasileira e desenvolvimento dos carros voadores
No Brasil, um importante destaque no desenvolvimento de eVTOLs é a subsidiária Eve Air Mobility da Embraer, que tem investido em protótipos e certificação desses veículos. Em dezembro de 2025, a empresa realizou o primeiro voo não tripulado de um protótipo no interior paulista, reforçando o protagonismo nacional nessa nova tecnologia.
Além disso, a Eve já firmou contratos para venda de unidades de seus eVTOLs, com entregas planejadas para o final da década de 2020, ampliando o cenário de adoção desses veículos no mercado global.
Conclusão: futuro da mobilidade aérea no Brasil
A iniciativa da ANAC de criar uma categoria específica de piloto para carros voadores representa uma resposta antecipada à chegada de novas aeronaves ao espaço aéreo brasileiro. Com a consulta pública ainda em andamento, o país se prepara para moldar regras que poderão influenciar a formação profissional e a segurança operacional de uma tecnologia que promete transformar a mobilidade urbana nos próximos anos.


























